quinta-feira, 5 de maio de 2011

Inflação, preço (in)justo: a culpa também é sua

Fala-se muito, ultimamente, no aumento da inflação. Os índices, mesmo com o IPCA sendo maquiado para baixo na cara dura, não mentem. Com isso, também fala-se no risco da volta da hiperinflação, a exemplo do que também pode estar acontecendo com nossos vizinhos venezuelanos e argentinos. Vou, neste breve e confuso texto, dar a minha torta visão sobre o tema.

Qual tem sido o remédio, desde o 2º mandato de FHC, comumente receitado pelo governo para controlar a coisa e mantê-la num nível aceitável? Sistema de "metas de inflação", operacionalizado principalmente através do Banco Central por meio do controle da taxa básica de juros da economia (a SELIC): subir a taxa quando a inflação dá sinais de furar a meta. Grosso modo, quando isso é feito, o intuito é deixar o crédito mais caro, com o esperado efeito de se frear o consumo, atacando o preço de equilíbrio da curva Oferta x Demanda (principal fator na formação de preços) pelo lado da queda da demanda. Um efeito colateral: aumentar a dívida do governo.

Bom, recorrer a este método a toda hora é como dar um comprimido de antibiótico toda vez que o cara dá uma tossida mais forte. Não é minha intenção esmiuçar isso. O que quero é discorrer um pouco sobre duas causas do movimento inflacionário.

Primeiramente, a indexação de contratos de prestação de serviços ou de certos produtos com preços regulados. A energia elétrica é reajustada pela inflação. A água e o gás, idem. Os transportes públicos, acho que até os remédios são reajustados de acordo com a inflação. Sem contar o aluguel. Mas ora, esses mesmos preços não compõem o cálculo da inflação? Logo, eles mesmos não geram inflação? Ou seja, a luz aumenta por causa da inflação, e a inflação aumenta, depois, por causa da luz. Entendem o que quero dizer? Acaba que o preço do cimento influencia, por contrato!, no preço da passagem de ônibus. Não faz o menor sentido.

Esse mecanismo de indexação de contratos é uma herança da época da hiperinflação no país. Não sei de que maneira isso pode ser feito, mas há de se acabar com esse mecanismo se o governo quiser, realmente, dar um basta na inflação. Não se pode querer ser magro se você tem mente de gordo, não é?

A segunda questão que eu quero comentar tem a ver com as pessoas. Contigo, comigo, com o seu vizinho. Com todo mundo. Brasileiro gosta de pagar caro pelas coisas. Ora, mas como?

Lembro que, em meados de 2008, um bombonzinho da Cacau Show custava R$1,00. Depois subiu para R$1,20. Para R$1,50. No fim do ano passado, para R$1,80. Em alguns meses vai a R$2,00 ou passará disso, alguém duvida? Aumento de 100% em 3 anos, ou 26% ao ano. No mesmo período, um tabletezinho vagabundo de 20g foi de R$0,70 para R$1,00. E nego continua comprando sem reclamar, os comerciantes franqueados rindo à toa. Por que tanto aumento? Porque as pessoas pagam, oras. Se as pessoas parassem de comprar após um aumento arbirtário, o preço baixaria. Eu fiz minha parte, parei de comprar, mas sou sozinho na multidão.

Vocês já devem ter visto alguma postagem/reportagem mostrando que certo carro da Honda, fabricado no Brasil, é vendido no México mais barato que aqui. Custo Brasil, impostos? Nada. É custo-consumidor, mesmo. Brasileiro dá aos carros valor muito maior que eles, de fato, têm. Aceita pagar uma margem de lucro ao fabricante/distribuidor muito maior que em qualquer outro país. Um carro no Brasil custar 3x mais que um equivalente americano, por exemplo, não pode ser explicado apenas por impostos: nego faz questão de se endividar para ter seu carro novo. Se o cara guardasse, todo mês, o dinheiro da parcela (que tem juros!), ao final poderia comprar, à vista, um carro melhor do que almejava.

Já repararam que, durante aquela crise uns anos atrás que quase levou a General Motors à bancarrota, as montadoras de automóveis continuaram tendo imensos lucros no Brasil?

Por que eletrônico é tão mais caro aqui? Mesma coisa, aliado a falta de prioridade. A pessoa ganha mal mas quer porque quer comprar aquele celular touchscreen, ou aquela TV LED. Se a parcela cabe no bolso, compra. Não se dá ao menor trabalho de somar as parcelas e ver o custo total, ou de priorizar o dinheiro que tem para, por exemplo, investir num curso de inglês, que certamente lhe garantiria um emprego melhor.

Por que preço de show no Brasil é tão mais caro que fora? Mesmíssima coisa. Inclusive, mesmo que eu possa pagar e mesmo que eu goste muito do artista, deixei de ir a vários shows este ano por não concordar com o abuso. Aliás - minha namorada, em 2001, pagou menos de R$20,00 para ir ao Rock in Rio. Bota a inflação oficial deste então em cima e compara com o preço de hoje. Contaram-me, também, que o show que Paul McCartney fez no Maracanã em 1990 custava, na época, o equivalente a um disco de vinil - grosso modo, o preço de um CD hoje. Quantos CDs custam o show de alguém bem menos expressivo que ele, hoje?

Se tem alguém que aceita pagar caro, o preço vai ser caro, oras bolas. Consumo sem critério dá nisso, com ou sem crédito envolvido. Não tem direito de reclamar, tem é que ter atitude.

Consumo consciente, pessoal.
That's all.

Posted via email from Pensamentos Aleatoriamente Randômicos

sexta-feira, 18 de março de 2011

Calouros, bichos ou bixos (ou como queiram) cariocas: por que não lhes dou dinheiro?

Nos últimos dias tenho visto calouros de algumas universidades cariocas pedindo grana no Centro. Pintados e tal, às vezes acompanhados de algum veterano. Não vou discutir o assunto, mas sou super simpático a iniciativas do tipo: passei por isso em 2002 como bixo da UNICAMP, e em vários anos seguintes como veterano, e fazíamos excelentes festas com o dinheiro - sem forçações de barra, intimidações ou infâmias.

OK. Seria completamente justo que eu, agora, na condição de trabalhador e que se beneficiou bastante de tal integração enquanto universitário, colaborasse com algumas notas ou moedas, certo? Certíssimo! Mas não o faço. Por quê? Apenas pelo fato de eles estarem, aqui, fazendo da maneira mais errada possível. Vão ao lugar mais movimentado da cidade e agem como mendigos, como pedintes mortos de fome. Como se fossem coitadinhos!

Não chegam nem um pouco perto dos métodos que usávamos em meu tempo e local. E métodos bem eficientes, diga-se. Por isso, não merecem.

Pessoas, abusem da sua criatividade, de seu espírito jovem! Façam a coisa de jeitos melhores e em lugares mais apropriados, ok? Não vou dar dicas explícitas, pois perderia a graça!

Posted via email from Pensamentos Aleatoriamente Randômicos

Exemplo de ordem no caos. Para o mundo, para o Brasil. Um ótimo tapa na cara.

Recebi há pouco, via twitter, um artigo publicado na página do Estadão sobre o comportamento dos japoneses diante de todo o caos. Vale a pena a leitura, e vale a pena comparar com o brasileiro. Aqui, com ou sem tragédia, sempre alguém encontra um motivo para empurra-empurra, para "facilitar", para vista grossa, para tumultuar etc.

Qual cultura é superior? A resposta está abaixo, e mostra apenas um dos motivos de sê-la.

- -

Caráter japonês transparece diante do desastre

Apesar da crise, prevalece o respeito e a honestidade

18 de março de 2011 | 0h 00

Gavin Blair, The Christian Science Monitor - O Estado de S.Paulo

Após os abalos secundários que mexeram com os nervos da população já tão maltratada, em meio aos temores de uma nova desestabilização dos quatro reatores seriamente danificados na usina nuclear Fukushima Daiichi, agora o frio e a fome constituem uma nova ameaça para os moradores de Tohoku, região nordeste do Japão - uma das mais atingidas pelo terremoto seguido de tsunami que devastou o país há uma semana.

 

Mas em meio a toda essa destruição, escassez e desespero, o que transparece é o caráter do povo japonês, que permanece resolutamente respeitoso, honesto e consciencioso durante todo esse que é o mais sinistro dos tempos.

"Sentimos muito em dizer que não temos nenhum veículo para alugar no momento. Não tenho desculpas por não poder ser mais útil ao senhor", o funcionário de uma agência de aluguel de carros em Yamagata disse a um cliente coberto de neve.

Mas na verdade, ele teria muitas desculpas: Yamagata enfrenta uma grande escassez de combustível, alimento e eletricidade, ao mesmo tempo que vem recebendo refugiados vindos das regiões em torno dos instáveis reatores nucleares em Fukushima.

Baixas temperaturas. As temperaturas começaram a cair abaixo de zero esta semana e a neve cobriu toda a região, aumentando o sofrimento das centenas de milhares de pessoas que foram retiradas, muitas sem alimento, água ou abrigo, e trazendo mais privação para aqueles que não foram afetados diretamente pelo terremoto e o tsunami.

Embora a ansiedade predomine por todo o país em razão das múltiplas crises, mesmo na região de Tohoku é difícil ver alguma rachadura na estrutura das maneiras e civilidade que definem a cultura japonesa.

Histórias de saques e furtos, que costumam acompanhar os desastres em todo o mundo, não são ouvidas por aqui, são impensáveis.

A noção do "gaman", que significa suportar ou tolerar o que é insuportável, também tem um valor fundamental para o povo japonês; e esse traço de caráter que é manifestar consideração pelo próximo, mesmo em momentos de pressão, costuma sempre surpreender o estrangeiro.

Nas longas filas nos postos de gasolina e supermercados por todo o país, longe de Tóquio é raro ver pessoas falando alto ou perdendo a calma. Elas abrem espaço para outros carros passarem e ninguém tenta furar uma fila.

Mesmo entre os refugiados que chegaram há pouco ao Centro Esportivo da cidade de Yamagata, não há nenhum sinal de desordem, as regras são cumpridas à letra e a disposição no geral é grande.

Uma mulher falou da sua preocupação com o futuro dos filhos por causa dos vazamentos de radiação, mas disse que esperava poder reconstruir sua casa, arrastada pelo tsunami. O tom de sua voz e a sua atitude não traduziam a magnitude da experiência vivida ou a tarefa de reconstruir sua vida: ela bem poderia estar se queixando de uma viagem desagradável para trabalhar de manhã.

"Estamos esperando mil refugiados aqui e temos somente 4 mil refeições", contou Minoru Harada, funcionário da administração local atuando como diretor do centro de emergência.

Necesidade. "Não temos combustível suficiente e estamos mantendo o aquecimento aqui no centro no mínimo possível - faremos o que pudermos".

É o espírito de um povo que construiu essa terra superpovoada e sem recursos a partir das cinzas da sua devastação na 2.ª Guerra, transformando-a num dos países mais avançados do mundo.

Provavelmente será esse espírito que, mais do que qualquer outra coisa, ajudará o país a se recuperar de um dos piores desastres de que se tem memória. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

- -

fdsfads

Posted via email from Pensamentos Aleatoriamente Randômicos

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Maloqueiro de chevettão rebaixado com vidro fumê

Não é incomum, de vez em quando, ver na rua um carro passando com música bombando muito forte nas alturas. Falo de gente que, por algum motivo, gosta de se exibir e, por vezes, até abre mão do porta-malas para colocar ali uma caixa enorme e potencializar o negócio ainda mais. Para completar o kit, muitos cometem a idiotice de rebaixar a suspensão - deixando o carro feio (ou alguém realmente acha bonito? seja sincero) e até mesmo, deliberadamente, estragando o dito.

OK, até aí, tudo bem. Agora, vamos à parte realmente notável da coisa.

Qual é a música que sai de seus alto-falantes? Ou nego é pagodeiro, ou é funkeiro, ou é sertanojo (a grafia é proposital) ou é baladeiro putz-putz. Já notaram que a proporção de rockeiros, metaleiros e congêneres, neste caso, é bem pequena? Só para não falar de pessoas que gostam de outros tipos de música de verdade.

Entendem o que quero dizer? Ou querem que eu desenhe?

Posted via email from Pensamentos Aleatoriamente Randômicos